quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Prefácio da obra:

CONTÉM POESIA
do início ao fim. E tem um defeito: o fim chega rápido demais. Pronto, falei. O livro, quando acaba, nos deixa com uma imensa sensação de vazio. A Travessia deixa, na boca do leitor, um gostinho de quero mais. É como se chupássemos um drope do sabor preferido. E um drope apenas, do sabor preferido, convenhamos, é sempre pouco. Pouquíssimo. Um sentimento estranho fica alojado no peito do leitor, e algo como que nos esvoaça por dentro. Ao fechar o livro, o leitor sente uma espécie de saudade de toda a gente que habita suas páginas. Gente como a gente: com angústias, medos, incertezas, amores, conflitos, desencontros... Gente que quase vive vida real, tal a força narrativa do escritor e tamanha a Humanidade contida em seus personagens. Gente que sofre, que ri...
A parte principal da história se dá nas Minas Gerais, mas bem poderia se passar em outra parte qualquer do Brasil, ou do mundo, pois o livro versa sobre o que não se deixa delimitar.
O livro, de quando em quando, sacode o leitor: quando pensamos que já sabemos da história, dos seus meandros, vem o autor, com maestria, e abre um leque de histórias dentro da Grande História. A Travessia nos apresenta um universo de possibilidades, um grande mosaico formado por tesselas humanas.
Eu poderia discorrer sobre cada um dos personagens, ou pelo menos, sobre os principais, mas prefiro deixar o prazer das apresentações por conta de cada um: leitor–personagem, personagem–leitor. O que posso dizer, de antemão, é que alguns me fizeram cerrar o cenho: um sujeitinho, de apelido "Bola", e um tal de Lorenço, principalmente. Digo, de antemão, que Antônio e Maria Clara me fizeram chorar, que Larissa é doce e linda (confesso-me apaixonado), e que Wagner é encantador. No mais é pra depois, e por conta de cada um.
Ádlei Duarte de Carvalho chega sem fazer alarde, talvez por ser mineiro (sim, ele é mineiro, de João Monlevade), e nos apresenta pessoas/personagens de uma simplicidade e de uma beleza de umedecer os olhos. A poesia está na simplicidade. Na simplicidade das coisas e das pessoas. Ádlei é escritor que burila o texto, encaixando palavra por palavra até formar um perfeito ladrilho, por onde passeia, solta, a imaginação do pobre leitor. Sim, pobre leitor, que inevitavelmente se deixa entorpecer pela mansa e hipnotizante fala de seus personagens...
A Travessia fala sobre a vida e sobre o que move a vida, numa escrita leve e enxuta (sem gre gre pra dizer Gregório). E o vocabulário: primoroso! Ádlei Duarte de Carvalho, me perdoem o clichê, é um talento. Talento que tive o privilégio de constatar em primeiríssima mão. Fica a pergunta: se no livro de estréia o autor já nos emociona sobremaneira, o que virá a seguir?
A travessia, de qualquer modo, será feita: você querendo, ou não. Que seja, então, com AMOR (assim mesmo: maiúsculo) no coração. A bagagem será infinitamente mais leve...


Cláudio B. Carlos (CC)
Poeta e prosador

Um comentário:

  1. Bela escrita de prefácio. Nos instiga a vontade de ler o livro, e, posteriormente, participar do diálogo tão bem proposto pelo autor do prefácio.

    Parabenizo aos dois, Ádlei e Cláudio.
    Sucessos a esta bela Travessia!

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